Quarta-feira, 22 de Agosto de 2007

SOU DO PORTO

 

Eu tenho grande vaidade
Por nascer nesta cidade
Torrão onde eu cresci.
Sou do Porto, sou diferente
E tem pena muita gente
De não ter nascido aqui.
 
 
Cidade dita tripeira
De gente hospitaleira
Onde a vida tem encanto.
Somos leais e bairristas
Heróis de grandes conquistas
A quem outros devem tanto.
 
 
Não há no país inteiro
Nem mesmo no estrangeiro
Tanta honra e dignidade.
A sua brilhante história
Recheada de glória
É o brasão desta cidade.
 
 
Berço de navegadores
De poetas e escritores
E de fama mundial.
Tenho orgulho e sorte
De ser do Porto e do Norte
E filho de Portugal.
publicado por Fernando Alves às 15:12
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

Minha mãe mora no Céu

 

 

          Eu sofro por não saber

          Onde mora a minha mãe.
          Gostava tanto de a ver 
          E abraçá-la também.


          Se mora lá nas estrelas
          Que me faça um sinal.
          Que eu procuro ao vê-las
          O número do seu portal.


          Na lua não mora lá.
          Não é da sua afeição.
          Onde será que ela está
          Minha mãe do coração.


          No Céu será a morada
          De tão santa que ela era.
          Junto à Virgem sentada 
          Ela está à minha espera.


          Eu vivo na ansiedade
          Tanto tempo sem a ver. 
          P’ra matar esta saudade
          Mãezinha quero morrer.

publicado por Fernando Alves às 18:09
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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2007

TRAGÉDIA NA PONTE DAS BARCAS

 

 

O tempo não esqueceu

A tragédia que aconteceu

No Porto, junto à Ribeira.

A dor e a recordação

Ainda ferem o coração

Desta gente bem tripeira

 

 

Há quase duzentos anos

Um exército de tiranos

Ás ordens de Napoleão

O Porto saquearam

E muita gente mataram

Nessa covarde invasão.

 

 

O povo apavorado

Ao fugir p’ro outro lado

A ponte não resistiu.

Morreu tanta, tanta gente

Porque a ponte infelizmente

Com o peso se partiu.

 

 

Teixeira Lopes, escultor

Esculpiu com amor

Este relevo na Ribeira.

E nas noites muito calmas

Há quem oiça as suas almas

Chorar p’la noite inteira.

publicado por Fernando Alves às 17:57
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SOU AVE QUE JÁ NÃO CANTA

Sou ave que já não canta

Sou fadista sem garganta

Tenho o fado nos dedos.

Nos momentos mais sofridos

Eu sinto nos meus sentidos

Desvendar os seus segredos.

 

Nos meus versos canto o fado

Em tom bem magoado

Com tristonha melodia.

E na voz do coração

Eu canto a solidão

Saudade e nostalgia.

 

No meu fado há outros fados

Destinos desencontrados

Amores e desilusões.

Retalhos de muitas vidas

Recordações esquecidas

E momentos de emoções.


Quando meu fado acabar

Meus dedos vão-se calar

Num silêncio bem profundo.

Termina a solidão

E a voz do meu coração

Já não canta neste mundo.



publicado por Fernando Alves às 16:31
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.BIOGRAFIA

António Fernando Alves nasceu na freguesia de Miragaia, no Porto, em Junho de 1934. Aí viveu até aos seis anos, idade com a qual se mudou com seus pais para a freguesia da Sé. Devido a um incêndio na casa onde vivia, voltou a mudar-se, desta vez para a Ribeira, percorrendo assim três das mais típicas freguesias da cidade. Ingressou num colégio interno aos 11 anos, devido ao debilitado estado de saúde do seu pai (chefe de policia no Porto), com quem vivia na zona do Marquês, na sequência do divórcio do casal. Saiu do colégio aos 18 anos, regressando à companhia da mãe, embora por escasso período de tempo, pois partiu à descoberta da vida e de si mesmo, encontrando após longa caminhada, o que viria a tornar-se uma verdadeira paixão: o fado. Conviveu com grandes nomes do fado amador do Porto, desenvolvendo grandes amizades no meio, das quais se destaca César Morgado, fadista alfacinha radicado em Leça da Palmeira. Cumpriu o serviço militar no Alentejo, onde conheceu a lisboeta que viria a tornar-se sua esposa e mãe dos seus cinco filhos. E foi com a família então formada, que regressou ao Porto em 1974. Desenvolveu a sua vida profissional na área da decoração, gerindo duas lojas do ramo. A reforma surgiu prematuramente devido a complicações cardíacas. O seu casamento que durou 37 anos, foi apenas desfeito pelo trágico acidente que vitimou a sua esposa, em 1996. Então viúvo e desalentado, entrou de novo no meio fadista, na esperança de nele encontrar refúgio que atenuasse a dor que sentia. A assiduidade com que passou a frequentar casas de fado, levou-o a achar que a “canção nacional” a nível amador, estaria a sofrer algum “mau trato”, no sentido da não renovação das letras e da forma como as antigas estavam a ser cantadas, entre outros factores. Manifestou o seu desagrado em forma de versos, que declamava no decorrer das sessões de fado a que assiste regularmente. O resultado inverteu-se e os pedidos de alguns fadistas para que escrevesse letras exclusivamente para eles (relatando factos das suas vidas) foram-se sucedendo. São 74 os anos que já viveu, mas o seu espírito insiste em manter-se adolescente. Trata-se no entanto, de uma juventude mais rica, pois tem a seu lado cinco filhos, nove netos e uma bisneta.