Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

Minha mãe mora no Céu

 

 

          Eu sofro por não saber

          Onde mora a minha mãe.
          Gostava tanto de a ver 
          E abraçá-la também.


          Se mora lá nas estrelas
          Que me faça um sinal.
          Que eu procuro ao vê-las
          O número do seu portal.


          Na lua não mora lá.
          Não é da sua afeição.
          Onde será que ela está
          Minha mãe do coração.


          No Céu será a morada
          De tão santa que ela era.
          Junto à Virgem sentada 
          Ela está à minha espera.


          Eu vivo na ansiedade
          Tanto tempo sem a ver. 
          P’ra matar esta saudade
          Mãezinha quero morrer.

publicado por Fernando Alves às 18:09
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.BIOGRAFIA

António Fernando Alves nasceu na freguesia de Miragaia, no Porto, em Junho de 1934. Aí viveu até aos seis anos, idade com a qual se mudou com seus pais para a freguesia da Sé. Devido a um incêndio na casa onde vivia, voltou a mudar-se, desta vez para a Ribeira, percorrendo assim três das mais típicas freguesias da cidade. Ingressou num colégio interno aos 11 anos, devido ao debilitado estado de saúde do seu pai (chefe de policia no Porto), com quem vivia na zona do Marquês, na sequência do divórcio do casal. Saiu do colégio aos 18 anos, regressando à companhia da mãe, embora por escasso período de tempo, pois partiu à descoberta da vida e de si mesmo, encontrando após longa caminhada, o que viria a tornar-se uma verdadeira paixão: o fado. Conviveu com grandes nomes do fado amador do Porto, desenvolvendo grandes amizades no meio, das quais se destaca César Morgado, fadista alfacinha radicado em Leça da Palmeira. Cumpriu o serviço militar no Alentejo, onde conheceu a lisboeta que viria a tornar-se sua esposa e mãe dos seus cinco filhos. E foi com a família então formada, que regressou ao Porto em 1974. Desenvolveu a sua vida profissional na área da decoração, gerindo duas lojas do ramo. A reforma surgiu prematuramente devido a complicações cardíacas. O seu casamento que durou 37 anos, foi apenas desfeito pelo trágico acidente que vitimou a sua esposa, em 1996. Então viúvo e desalentado, entrou de novo no meio fadista, na esperança de nele encontrar refúgio que atenuasse a dor que sentia. A assiduidade com que passou a frequentar casas de fado, levou-o a achar que a “canção nacional” a nível amador, estaria a sofrer algum “mau trato”, no sentido da não renovação das letras e da forma como as antigas estavam a ser cantadas, entre outros factores. Manifestou o seu desagrado em forma de versos, que declamava no decorrer das sessões de fado a que assiste regularmente. O resultado inverteu-se e os pedidos de alguns fadistas para que escrevesse letras exclusivamente para eles (relatando factos das suas vidas) foram-se sucedendo. São 74 os anos que já viveu, mas o seu espírito insiste em manter-se adolescente. Trata-se no entanto, de uma juventude mais rica, pois tem a seu lado cinco filhos, nove netos e uma bisneta.